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SAÚDE: Fumar na gestação, efeitos e riscos


O cigarro na vida da mulher antes da fecundação, durante a gestação, no período da amamentação, e fase escoloar.

 

A gestação de um modo geral é um momento muito especial na vida da mulher. A grávida manifesta uma grande preocupação com a saúde do feto e com a gestação. Nesse período, costuma cuidar mais da sua saúde que está intimamente ligada à do feto, emergindo um sentimento inato de preservação da espécie.

A grávida tabagista não foge à regra em relação a essa preocupação. Esse é um momento de contato muito importante, onde a gestante deve ser motivada a parar de fumar, visto que os ganhos relacionados à sua própria saúde e a do feto são fantásticos.

É muito comum a grávida parar de fumar durante a gestação e retornar a fumaro durante a amamentação, por desconhecer completamente os riscos de fumar nesse período da vida do bebê.

O feto não é um fumante passivo qualquer, ou seja, aquele que inala a fumaça de cigarro, em um ambiente fechado, no caso o ventre materno. O feto é um ser em formação no ventre de sua mãe, indefeso, completamente dependente e vulnerável da situação.

O percentual de gestantes tabagistas ativas hoje gira em torno de 20 a 25% entre as mulheres.

A intenção deste artigo é conscientizar e motivar a gestante tabagista a parar de fumar, e orientá-la que, em caso de dificuldade, deve buscar ajuda de um profissional de saúde.
 

Efeito da nicotina na fertilização

 

As adolescentes que começam a fumar antes dos 18 anos de idade têm suas chances de engravidar diminuídas em até 50%, ou poderão ter um atraso na primeira gestação. Caso a adolescente fume um maço por dia, essas chances caem mais ainda.

Isso ocorre devido às alterações desencadeadas pelo tabaco nos hormônios femininos. A redução da concentração do hormônio estradiol dificulta a maturação do óvulo e a implantação do mesmo após a fecundação. Quando a implantação do óvulo é bem sucedida, muitas vezes a gravidez é interrompida, bem no início, nem sendo percebida pela mulher como um aborto espontâneo.

Todas essas alterações podem ser revertidas caso a mulher pare de fumar.

Nos homens fumantes há uma redução na concentração dos espermatozóides. Esses podem ter uma alteração na sua estrutura, facilitando a ocorrência de aborto por má-formação no feto, além da diminuição na sua movimentação, dificultando a fecundação do óvulo.

Efeito da nicotina sobre a gestação

 

A gestação e o feto da mãe tabagista sofrem inúmeras agressões ocasionadas pelo tabaco e seus compostos.

O tabaco contém nicotina que é uma droga estimulante do Sistema Nervoso Central (SNC). Durante a tragada, ela atinge rapidamente a circulação e o cérebro da mãe, liberando várias substâncias como a noradrenalina, dopamina e vasopressina. Essas substâncias atuam sobre a circulação da mãe provocando a contração dos vasos sangüíneos, o aumento dos batimentos do coração, culminando com o aumento da pressão arterial. A gravidez quando cursa com pressão alta é considerada de risco, tanto para a mãe quanto para o feto.

Os cigarros interferem dificultando a implantação e o desenvolvimento normal da circulação da placenta. Essas alterações na placenta vão interferir nas trocas gasosas e de nutrientes entre a mãe e o feto, aumentando consideravelmente o risco de descolamento prematuro da placenta.

A cotinina é um subproduto da nicotina. Ela induz a contração do vaso, o seu acúmulo na circulação fetal pode ser a causa do trabalho de parto prematuro e do aborto espontâneo em fumantes.
 
A nicotina altera os movimentos dos cílios da trompa de Falópio, esses cílios têm a função de ajudar o óvulo a migrar até o útero, onde normalmente se desenvolve a gravidez. Com os movimentos ciliares prejudicados, a ocorrência de gravidez nas trompas aumenta.


Efeitos da nicotina sobre o feto e o bebê

 

Além da nicotina, o cigarro contém outras 4.720 substâncias sabidamente tóxicas ao organismo, porém algumas, com efeito, ainda desconhecido sobre a gravidez.
 
O monóxido de carbono e a cianida já foram estudados e seus malefícios para o feto identificados.

A hemoglobina, um dos componentes do sangue, tem como incumbência transportar oxigênio para o feto. O monóxido de carbono compete com o oxigênio, e ganha, por ter 250 vezes mais afinidade pela hemoglobina do que o próprio oxigênio. Portanto, o feto de uma mãe tabagista tem muito mais dificuldade em receber oxigênio quando comparado com o feto de uma mãe não-fumante. No feto, o monóxido de carbono chega a apresentar níveis de concentração no sangue entre 10 a 15%, sendo bem maior do que o encontrado no sangue materno.

A cianida leva à diminuição da concentração de vitamina B12. O feto de uma mãe tabagista tem o seu crescimento e desenvolvimento prejudicado pela baixa dessa vitamina.
 
O sistema respiratório do feto é afetado, pois há uma redução na fabricação de uma substância que facilita a expansão pulmonar, evitando que ele colabe. Essa substância é conhecida como surfactante.

O bebê tem um risco duplicado de nascer com baixo peso, são em média de 100 a 300 gramas mais leves. Cada cigarro consumido reduz 0,2% ao dia o peso ao nascimento, então, 10 cigarros/dia durante a gestação é capaz de reduzir em 2% o peso ao nascer.

A criança que convive com dois ou mais fumantes em ambiente fechado tem risco aumentado em 50% para as infecções respiratórias, como: pneumonia, sinusite, otite, amigalite, bronquite.

Entre as outras alterações que podem ocorrer com o bebê da mãe tabagista podemos citar: redução da circunferência do crânio, síndrome da morte súbita infantil e asma.

Efeito da nicotina durante a amamentação.

 


Na fase de amamentação, o bebê tem um contato direto com a mãe. Caso ela ou qualquer outra pessoa fume no ambiente fechado da casa, o bebê involuntariamente também fumará, pois a fumaça do cigarro será inalada pelos seus pulmões. Passará a ser considerado um fumante passivo, por estar exposto involuntariamente a milhões de substâncias tóxicas contidas na fumaça do cigarro.

Além das conseqüências do tabagismo passivo da criança, se somam as conseqüências sobre a amamentação.

A cotinina, um metabólito da nicotina, é eliminada no leite da mãe tabagista. Portanto, mesmo que a mãe fume do lado de fora da casa para não expor seu bebê à fumaça do cigarro, esse será exposto à nicotina através do leite materno. Os níveis de cotinina detectados em crianças filhas de mães fumantes que amamentam são equivalentes aos dos fumantes ativos.

A mãe fumante pode ter maior dificuldade em amamentar por ter os níveis do hormônio responsável pela produção do leite (prolactina) diminuído. Em conseqüência, essas crianças ganham peso em menor velocidade, chegando a até 40% menos quando comparadas com crianças amamentadas por mães nãos-fumantes.
 
Por outro lado, deve-se encorajar a amamentação natural mesmo nas mães que não conseguiram deixar o tabagismo, pois sabe-se que crianças filhas de fumantes alimentadas artificialmente estão da mesma forma expostas a fumaça do cigarro no ambiente doméstico e, além disso, ao risco adicional de doenças respiratórias, gastrintestinais, alérgicas, caso não sejam amamentadas. Em função da curta meia vida da cotinina no leite (aproximadamente 1½ hora), nessas situações, deve-se recomendar às mães fumantes que não conseguiram parar de fumar que esperem cerca de duas horas após o último cigarro para o início da amamentação.

Efeito da nicotina na idade escolar

 

O consumo de cigarro na gestação tem sido associado à redução do quociente de inteligência (QI), devido ao atraso no desenvolvimento mental, evidenciado pela menor habilidade em especial para matemática e leitura. Essas crianças em idade escolar apresentam baixa compreensão na leitura e dificuldade nos cálculos de matemática. Outra associação é a ocorrência de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).
Resumo dos malefícios do cigarro para a gestante
  • Um cigarro fumado é capaz de acelerar, em minutos, os batimentos cardíacos do feto, em razão do efeito da nicotina sobre o aparelho cardiovascular.
  • O ambiente poluído pela fumaça faz com que o organismo de uma grávida não-fumante absorva as substâncias tóxicas, passando-as para o feto por via sanguínea.
  • Durante a amamentação, a nicotina passa pelo leite e é absorvida pela criança que, ao ingeri-la pode apresentar agitação, vômitos, diarreia e taquicardia.
  • Mulheres grávidas que fumam reduzem a fertilidade do filho, caso ele seja menino, sugere pesquisa realizada pela Universidade de Aberdeen, da Escócia.
  • O cigarro prejudica a vascularização do útero, fazendo com que a chance de aborto seja de duas a três vezes maior do que numa gravidez onde a mulher não fuma.
Qual o risco para a mulher que fuma e usa anticoncepcional ?
 
 
A mulher que usa anticoncepcional e fuma tem 10 vezes mais chance de sofrer infarto do miocárdio e trombose das veias da perna.

Caminhos para a cura. O que ha de mais novo,  Vareniclina, o que é? 

 

A vareniclina (nome comercial: Champix) é uma medicação desenvolvida especificamente para o tratamento do tabagismo. Ela atua em receptores situados no cérebro, bloqueando a ação da nicotina no local e reduzindo a possibilidade de síndrome de abstinência.
 
Estudos clínicos mostraram altas taxas de cessação do tabagismo com o uso da vareniclina. Em um trabalho com 647 pacientes, 49% dos fumantes que usaram a medicação largaram o cigarro ao fim de 12 semanas de tratamento, enquanto essa taxa foi de apenas 12% para os indivíduos que utilizaram placebo (comprimido de farinha sem efeito farmacológico). Outro estudo, com 1.210 pacientes mostrou taxa de cessação do tabagismo de 70% entre os que utilizaram vareniclina contra 49% entre os que tomaram placebo. Quando comparada com o uso da bupropiona, os dois trabalhos científicos realizados com o objetivo de avaliar a eficácia desses tratamentos mostraram que a vareniclina foi superior. 

 

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